Língua e Literatura

Intertexto e interdiscurso

Meus oito anos
Oh! Que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
[…]
(Casimiro de Abreu)
 
Meus oito anos
Oh que saudades que eu tenho
Da aurora de minha vida
Das horas
De minha infância
Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra
Da Rua de Santo Antônio
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais.
[…]
(Oswald de Andrade)

O primeiro poema foi escrito no século XIX por Casimiro de Abreu, poeta romântico. O segundo foi escrito por Oswald de Andrade, escritor modernista do século XX.

Em seu poema, Oswald de Andrade cita explicitamente o poema de Casimiro de Abreu. Quando um texto cita outro, dizemos que entre eles existe intertextualidade.

Mas, o texto de Oswald não é uma mera citação do texto de Casimiro. Com seu poema, Oswald pretendia dialogar com o poeta romântico. Quando há um diálogo entre os dois discursos, dizemos que, além de intertextualidade, existe entre eles também interdiscursividade.

Toda relação interdiscursiva é também uma relação intertextual. Contudo, a interdiscursividade é mais ampla, pois faz referência não apenas a um texto ou a partes dele, mas também à ideologia nele existente.

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