Língua e Literatura

O Primo Basílio – Eça de Queirós

O Primo Basílio: uma crítica à burguesia portuguesa

Publicada em 1878, a obra O Primo Basílio tem como subtítulo Episódio da vida doméstica. Nela, Eça de Queirós volta o seu olhar crítico para o casamento como instituição representativa da hipocrisia burguesa. Bastante influenciado por Madame Bovary, de Gustave Flaubert, Eça tem em Emma Bovary o modelo para a construção de Luísa, personagem frágil e sonhadora.

No romance, acompanhamos a história de Luísa, jovem educada segundo os princípios românticos, que, estando casada com o engenheiro Jorge, deixa-se seduzir pelo primo, Basílio de Brito, que volta a Portugal durante uma viagem de Jorge. Chantageada pela criada Juliana, que intercepta cartas trocadas pelos amantes, Luísa vê seus sonhos de viver um romance desmoronarem. No final, a protagonista morre após uma longa enfermidade causada pelo sentimento de culpa por ter traído o marido.

Nessa obra, Eça de Queirós, que já criticara a província em O Crime do Padre Amaro, dirige sua crítica à burguesia lisboeta, com seus tipos característicos, seu pseudomoralismo, sua frustração familiar e o inevitável adultério.

O próprio autor afirma, em carta a Teófilo Braga, outro escritor do Realismo português: “A minha ambição seria pintar a sociedade portuguesa […] e mostrar-lhes, como num espelho, que triste país eles formam […]”

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