Língua e Literatura

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa: o poeta fingidor
Fernando Antônio Pessoa nasceu no dia 13 de junho de 1888, na cidade de Lisboa. Como era dia de Santo Antônio, padroeiro da cidade, recebeu o nome do santo como segundo nome.
Fernando Pessoa levou uma vida anônima e solitária e morreu em 1935, de cirrose hepática. Tinha 47 anos. Quando os críticos descobriram a riqueza de sua obra, ele já não podia conhecer merecida fama, que até hoje o identifica como um dos maiores escritores de Língua Portuguesa.
Quando se estuda a obra poética de Pessoa, é necessário fazer uma distinção entre todos os poemas que assinou com o seu nome verdadeiro – poesia ortônima – e todos os outros, atribuídos a diferentes heterônimos, dentre os quais destacam-se Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
O fenômeno da heteronímia resolve uma questão que persegue Fernando Pessoa durante toda a sua vida: o desdobramento do “eu”, a multiplicação de identidades. Outra questão que o ocupou foi a da “sinceridade do fingimento”, condição da criação literária, e que originou o poema abaixo.

Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
 
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
 
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter, a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
 
PESSOA, Fernando. Lírica e dramática.
In: Obras de Fernando Pessoa.
 

“Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram”, confessa Fernando Pessoa ao amigo Adolfo Casais Monteiro em carta que explica a gênese dos heterônimos.

Heterônimo: nome imaginário que um criador identifica como o autor de suas obras e que designa alguém com qualidades e tendências marcadamente diferentes das desse criador.

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