Língua e Literatura

Se Eu Morresse Amanhã! – Álvares de Azevedo

Se Eu Morresse Amanhã!

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria,
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas,
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito,
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos,
Se eu morresse amanhã!

 Em 1852, aos 20 anos de idade, Álvares de Azevedo morreu vítima de complicações devido a um acidente (queda de cavalo). Ele foi o principal representante brasileiro do mal-do-século e toda a sua obra foi escrita em apenas quatro anos. Os temas mais comuns de sua poesia são o amor e a morte. O amor é sempre idealizado e a morte tem o significado de fuga, de libertação. Toda a obra de Álvares de Azevedo foi publicada postumamente.

Os comentários estão desativados.