Língua e Literatura

Pneumotórax – Manuel Bandeira

Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

— Diga trinta e três.

— Trinta e três. . . trinta e três. . . trinta e três. . .

— Respire.

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Manuel Bandeira sofria de tuberculose e sabia dos riscos que corria diariamente. A perspectiva de deixar de existir a qualquer momento é uma constante na sua obra.

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