A dupla/tripla negação na língua portuguesa

A língua portuguesa admite a dupla negação na mesma frase sem que isso confira a ela sentido positivo. Em inglês, no entanto, uma frase como “I  don’t  want  no  coffee” (Eu não quero nenhum café) significa “I want coffee” (Eu quero café). A dupla negação em português não equivale a uma afirmação, antes, serve para dar ênfase à negativa.
Eu não quero nenhuma salada.
Eu não entendi nada.
Eu não conheço ninguém.
Eu não tenho nada a declarar.
Eu nunca disse nada.
A  língua portuguesa admite ainda a tripla negação dentro de uma mesma frase. Essa forma de expressão, entretanto, é comumente utilizada na linguagem oral.
Eu não quero nenhuma salada não.
Eu não entendi nada não.
Eu não conheço ninguém não.
Eu não tenho nada a declarar não.
Eu nunca disse nada não.

Termos que causam redundância

Há três meses atrás.
  e  atrás  indicam passado, não use os dois juntos:
Ela viajou há três meses.
Ela viajou três meses atrás.
Já não há mais motivo.
Já  e  mais  têm a mesma função na frase, não use os dois juntos:
Não há mais motivo.
Já não há motivo.

Prolixidade

Há duas formas de ser prolixo:
1- A mais frequente é falar demais sem dizer nada, dar voltas até chegar ao essencial.
2- A segunda forma é usar um vocabulário pesado, inacessível à maioria das pessoas.

A prevenção à prolixidade requer que se tenha atenção à concisão e precisão da mensagem. Concisão é dizer o máximo possível com o mínimo de palavras. Precisão é utilizar a palavra certa para dizer exatamente o que se quer. A prolixidade compromete a clareza do texto e cansa o leitor/ouvinte.

Gerundismo: uma endorreia causada por perífrases

Gerundismo é uma locução verbal composta de três verbos.  Essa forma de expressão surgiu há algum tempo no Brasil, por influência das empresas de atendimento telefônico, que traduziram “ao pé da letra” os manuais de operadores de telemarketing americanos.

Ao uso repetitivo do gerúndio, dá-se o nome de endorreia. A vítima do gerundismo é a estrutura “vou estar + gerúndio”, uma perífrase (emprego de muitas palavras, para exprimir o que se poderia dizer mais concisamente).

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Neologismo

Neologismo é uma palavra recém-criada ou uma palavra já existente que adquire um novo significado. O neologismo surge como um substantivo, transformando-se, em seguida, em um verbo.
Os neologismos seguem as mesmas regras das demais palavras da língua. Por exemplo, todo verbo recém-criado deverá ser de primeira conjugação, todo neologismo proparoxítono deverá receber acento gráfico  etc.

Comunicação: uma via de mão dupla

O sucesso da comunicação depende da cumplicidade entre o produtor e o receptor de um texto, pois o seu sentido não é construído apenas pelo produtor, mas também por quem o recebe. Para que a comunicação seja eficiente, é necessário que o texto esteja bem organizado do ponto de vista dos critérios de textualidade.

Critérios de textualidade:
1) Intencionalidade: refere-se ao empenho do produtor do texto em construir uma mensagem coerente, coesa e capaz de satisfazer a sua meta comunicativa, que pode ser convencer, impressionar e informar.
2) Aceitabilidade: trata das expectativas do leitor e sua aceitação da proposta comunicativa feita pelo produtor. A partir de seu horizonte de expectativas, o leitor pode ou não “aceitar” a comunicação que lhe é proposta.
3) Informatividade: baseia-se na relação entre informações novas e informações já apresentadas.
4) Situcionalidade: está ligada à importância do contexto para que o leitor entenda a mensagem.
5) Intertextualidade: implica o entendimento da relação que um texto pode estabelecer com outros, impactando na compreensão de determinada mensagem. Dessa forma, um texto torna-se o contexto de outro texto, e seu entendimento depende de um conhecimento compartilhado entre o produtor (falante/escritor) e o receptor (ouvinte/leitor).

O que é coesão?

A coesão é o conjunto de recursos linguísticos que empregamos em um texto para articulá-lo, interligando seus termos, orações, períodos e parágrafos. Os principais tipos de coesão são:
1) Referencial: estabelecida por palavras ou expressões que não são interpretadas semanticamente por seu sentido próprio, mas que têm a função de vincular partes do texto. Pode se dar pela substituição (de um substantivo, verbo ou mesmo trechos do texto por sinônimos ou expressões equivalentes), pelo uso de expressões nominais, pelo uso de pronomes e pela elipse (omissão de um termo ou expressão).
2) Sequencial: estabelece encadeamento entre os elementos do texto, fazendo-o progredir. Entre seus recursos, podemos destacar as palavras de transição, comumente usadas para estabelecer relação de: introdução (inicialmente, primeiramente, desde já, antes de tudo), continuação (além disso, do mesmo modo, bem como, ainda por cima), conclusão (enfim, dessa forma, portanto, afinal), tempo (logo que, logo após, posteriormente, atualmente, enquanto isso), conformidade (segundo, igualmente, assim também, de acordo com), causa e consequência (daí, por isso, de fato, em virtude de, assim), exemplificação e esclarecimento (por exemplo, então, isto é, em outras palavras, ou seja, quer dizer).
3) Recorrencial: estabelecida pela repetição de palavras ou de estruturas frasais semelhantes.

Coerência e Coesão

A coerência resulta da configuração que assumem os conceitos e relações subjacentes à superfície textual. É considerada o fator fundamental da textualidade, porque é responsável pelo sentido do texto. Envolve não só aspectos lógicos e semânticos, mas também cognitivos, na medida em que depende do partilhar de conhecimentos entre os interlocutores.

A coesão é a manifestação linguística da coerência; advém da maneira como os conceitos e relações subjacentes são expressos na superfície textual. Responsável pela unidade formal do texto, constrói-se através de mecanismos gramaticais e lexicais.